• Chá de Leitura

A ESTÉTICA DO ABSURDO


Ouvi, há alguns anos, um comentário elogioso sobre a prosa de Murilo Rubião. Porém, eu vim descobri-lo tarde, ao ler O homem do boné cinzento e outros contos. Surpreendido, lamento não tê-lo feito antes. Rubião é um autor vigoroso do chamado realismo mágico, gênero marcado pela atmosfera de sonho e fantasia, a qual, entrechocando-se com a realidade, funde-se nela, estranhamente.

Em geral, as personagens de Murilo são solitárias, vítimas de um mundo opressor, sufocante. Condenadas ao desespero, elas perseguem objetivos inalcançáveis até se exaurirem completamente, vencidas. A atmosfera de opressão, angústia e pesadelo perpassa todos os contos do livro, como neste trecho de "Os comensais", no qual Jadon se depara, todos os dias, com a frieza e a indiferença dos clientes de um restaurante:


"Era-lhe penoso, entretanto, encontrá-los sempre na mesma posição, a aparentar indiferença pela comida que lhes serviam e por tudo que se passava ao redor. Enquanto Jadon almoçava, permaneciam quietos, os braços caídos, os olhos baixos."

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