• Chá de Leitura

A ILUSÃO DO SONHO AMERICANO


Escrito no período da Grande Depressão (a maior crise do capitalismo mundial), 1933 foi um ano ruim possui nítidos contornos autobiográficos. Trata-se da narrativa, em primeira pessoa, de Dominic Molise, um adolescente que sonha jogar beisebol na liga profissional dos Estados Unidos.

Entretanto, ao sonho dele se interpõem fortes obstáculos. A pobreza de sua família, emigrada da Itália, impede-lhe de viajar à Califórnia, onde pretende fazer testes num grande clube. Como se não bastasse isso, Dominic sofre por ter um pai boêmio e infiel à esposa e por amar a garota mais rica da cidade. Essa paixão não correspondida nos faz entrever outra faceta da realidade americana: a profunda desigualdade social e os contrastes que separavam ricos e pobres, mesmo numa cidadezinha como Roper High, na Carolina do Norte. Isso fica evidente num encontro entre Dominic e Dorothy Parrish, sua amada:


"Olhei fixamente para o seu pescoço longo, o seu cabelo amarelo, o milagre de como ela se mantinha sobre os pés, e comecei a chorar, porque Dorothy nunca seria minha, ninguém vindo de Torricella Peligna jamais possuiria uma garota como Dorothy Parrish, nem em mil anos, não enquanto houvesse outro homem sobre a terra."


Assim, a denúncia dos conflitos sociais constitui, talvez, a marca principal do romance. Pelo olhar de um adolescente, filho de imigrantes pobres, concluímos que o "sonho americano", o sonho de uma vida próspera e feliz na América, não passa de uma ilusão ou, pelo menos, não está aberto nem acessível a todos.

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