• Chá de Leitura

PARA LER E SONHAR


Natural de Conceição da Barra (ES), Geísa Galvão é autora de cinco obras infanto-juvenis.


Escritora e professora da educação básica, Geísa Galvão tem se destacado na literatura infanto-juvenil.

Em 2016, ela publicou Luiza, seu primeiro conto. Desde então, participou de diversas antologias e escreveu novas obras, como Luiza e a Espada da Luz e Laura no Reino do Chocolate. Combinando fantasia e realidade, seus contos são inspirados na cultura e na história de Linhares (ES), município onde ela reside. Acompanhe, a seguir, a entrevista cedida pela autora ao nosso blog. Boa leitura!



BLOG > Como você descobriu seu talento para escrever histórias infanto-juvenis?

G. GALVÃO > Era o meu último ano da faculdade no antigo Normal Superior (2007), o TCC do meu grupo de estudos enfatizou “O estímulo à leitura por meio da contação de histórias”. Na minha complementação em Pedagogia (2008), o assunto ainda persistia me trazendo uma certa inquietude. Na pós-graduação (2009), dei segmento ao tema. Isso me permitiu adentrar o campo técnico e pedagógico pertinente aos primeiros passos rumo à leitura e escrita das crianças, e o quanto a literatura infanto-juvenil pode influenciar no despertar da autonomia dos escolares.


BLOG > A literatura pode contribuir para o desenvolvimento das crianças?

G. GALVÃO > Sim. Pesquisas comprovam que o comportamento humano recebe a influência do meio em que vive como sendo o resultado das suas primeiras leituras: “a leitura de mundo”. Mas que pode ser melhorado a partir de bons registros escritos: “a leitura da palavra”.


BLOG > No livro Helena e o Tesouro dos Jesuítas, você narra a história de Helena, uma jovem imigrante oriunda da Itália. O palco da narrativa é o Espírito Santo, estado que abriga uma das maiores colônias italianas do país. Qual é a sua relação com a cultura italiana e por que você decidiu abordá-la em um livro infanto-juvenil?

G. GALVÃO > Prima di tutto, sou neta de descendente de italianos vindos para o extremo-norte do estado do Espírito Santo em 1889. E o que me instigava desde menina era saber mais sobre essa tamanha movimentação capaz de fazer parte da cultura brasileira, não só pelo vocabulário, como também pelos seus costumes e tradições. Por isso tomei o nome “Helena”, de minha falecida avó, e o emprestei à minha personagem para que assim pudesse homenagear os imigrantes. Mas não é só isso. Helena e o Tesouro dos Jesuítas veio conjugar as três principais raças da formação do povo brasileiro em que menciona fragmentos da dizimação indígena do grupo KRENAK na minha região, além de fazer parte de um dos pontos de desembarque de navios negreiros e todo o sofrimento subsequente. Como as nossas crianças precisam estudar história e geografia como ponto de partida para o entendimento de sua identidade, eu vi que seria oportuno escrever uma fantasia baseada na história local para que o tema chegasse com mais leveza e ficasse para sempre em suas memórias. E ainda deixei um espaço estratégico para suscitar a curiosidade sobre quem eram os Jesuítas e o porquê teriam o tal tesouro.


BLOG > Você estreou na literatura infanto-juvenil com o conto Luiza. A protagonista da história, que empresta seu nome ao livro, une-se a seus amigos para derrotar a bruxa Matilde, que encarna as forças do mal. Trata-se da luta incessante do bem contra o mal, recorrente nas histórias infantis. Nesse conto, quais ideais ou valores representam o bem? E por que esses valores são úteis para as crianças de hoje?

G. GALVÃO > É certo que os tempos mudaram, mas a criança continua abrindo e fechando ciclos entre o estágio sensório-motor e o pensamento operatório concreto até os 12 anos de idade. Em seguida, os ciclos se direcionam para a amplitude do pensamento formal, abstrato. Segundo Piaget, a partir daí a criança começa a raciocinar separando a realidade da fantasia, a pensar sobre si mesma e suas características. Até então, é preciso respeitar as fases infantis nutrindo-as de valores morais com base no amor ao próximo, o cuidado com as suas raízes, o senso coletivo, o sonho, os desafios e a perseverança. Pois, ao contrário do que dizem os leigos, no mundo encantado a princesa estuda, respeita, luta e realiza. O príncipe é aquele que tem honra, e o individualismo provoca a destruição do reino. É como se você calculasse entre o livro “Você é insubstituível” de Augusto Cury e um “livro infantil”, por exemplo, e dissesse que um é livro e o outro é só um “livrinho”. Quando, na verdade, os dois são “livros”. Veja que a diferença está apenas na adaptação da linguagem. Neste ponto, é preciso defender a literatura infanto-juvenil, bem como o seu público. Por isso os livros são ilustrados. Por isso é preciso ler, imaginar, dramatizar... vivenciar o que está escrito. Quando o cérebro recebe boas vibrações durante uma experiência, o aprendizado tende a ser significativo e duradouro, promovendo futuros adultos assertivos na realização de seus projetos.


Geísa Galvão no programa Sim para a Literatura, transmitido pela Record News



BLOG > As suas histórias estão repletas de elementos maravilhosos, como animais falantes e poderes mágicos. Qual é a sua fonte de inspiração para criar esse universo fantástico?

G. GALVÃO > Sabendo que a linguagem confronta o pensamento e juntos constroem significados. E que os estágios mentais das crianças dependem de um suporte imaginário para que haja o famoso jogo simbólico. Desse modo, fica mais fácil se comunicar com elas dentro do mundo delas.


BLOG > O seu mais novo conto, Laura no Reino do Chocolate, tem como referência a história secular do município de Linhares (ES). Você pode nos falar um pouco sobre a relação entre o seu livro e o município capixaba?

G. GALVÃO > Linhares é uma cidade encantadora. Há anos moro aqui. É prazeroso acompanhar o seu desenvolvimento. Mais uma vez, a intenção foi trazer um pouco da história local atrelada à fantasia, para que nossos alunos possam apreciar a cidade onde vivem. São muitas as fontes econômicas do município, sobretudo, a produção cacaueira que alcançou o selo de melhor chocolate do Brasil, com representatividade no Salão do Chocolate de Paris. Ao passo que ressignifica a beleza da mulher capixaba por meio de concursos para esse fim. Nesse contexto, coloquei o estado do Espírito Santo como um reino fictício em defesa de suas riquezas. E a jovem Laura cresceu sem saber que tinha sangue real. Quando ocorre a descoberta, começam muitas aventuras em torno do seu maior desafio que é o de salvar a fazenda de propriedade de sua família. Em outras palavras, a cada desafio suas forças foram testadas, assim como acontece na vida de todos nós.


"Quando o cérebro recebe boas vibrações durante uma experiência, o aprendizado tende a ser significativo e duradouro, promovendo futuros adultos assertivos na realização de seus projetos."


BLOG > Em Linhares (ES), você participa do projeto "O prazer da leitura". Qual a importância desse projeto para o município onde você mora?

G. GALVÃO > Linhares está localizada no norte do estado com cerca de 140 km até a capital Vitória, onde ocorrem os eventos literários em maior quantidade e proporção. O projeto “O prazer da leitura”, idealizado pelo ativista literário professor Pereira, vem ganhando cada vez mais espaço e, inclusive, conquistou um lugar na TV aberta local, com capacidade de intercâmbio nacional. O que só veio somar no desenvolvimento sociocultural da cidade ao abrir novas portas para o incentivo à leitura e suas vantagens.


BLOG > Por que os jovens devem ler as suas obras?

G. GALVÃO > Porque foram desenvolvidas de modo compacto. Não apenas para atender as demandas da falta de tempo dos dias modernos, mas para incentivar a busca de produções mais extensas no futuro. Ou seja, um bom texto não precisa ser necessariamente longo, embora vá depender da escolha do leitor. Em todo caso, uma vez adquirido o prazer da leitura, adquirido está.



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FICHA DAS OBRAS



Título: Luiza

Edição:

Ano: 2019

Número de páginas: 70


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Título: Luiza e a Espada da Luz

Edição:

Ano: 2020

Número de páginas: 66


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Título: Jaqueline

Edição:

Ano: 2020

Número de páginas: 36


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Título: Helena e o Tesouro dos Jesuítas

Edição:

Ano: 2019

Número de páginas: 108


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Título: Laura no Reino do Chocolate

Edição:

Ano: 2021

Número de páginas: 76


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