• Chá de Leitura

ELEITOS POR DEUS


Nascido em Brasília, o teólogo Bruno Chaves é autor de diversos livros, incluindo um volume sobre a predestinação divina.

Nascido em Brasília, Bruno Chaves dedica-se aos estudos bíblicos desde 1993, quando se tornou evangélico. Atualmente, é mestre em Teologia Bíblica, bacharel em Teologia Eclesiástica e pós-graduado em Apocalipse e Profecias, em Escatologia e em Criação e Antropologia. Como escritor, já publicou doze livros religiosos doutrinários e um livro educativo, além de uma série de ficção com dezoito livros. Um dos temas caros a Chaves é o da eleição divina, abordado no seu livro Predestinação e a Bíblia. Saiba mais sobre isso na entrevista a seguir, cedida pelo autor ao nosso blog.


BLOG > O que te fez escrever o livro Predestinação e a Bíblia? Para você, esta foi uma escolha aleatória, ou se trata de um dever, uma missão?

B. CHAVES > Eu comecei a estudar sobre o assunto e passei a anotar todas as conclusões dos meus estudos. Como já tinha muitas anotações, resolvi transformá-las em um livro. Não foi um tema aleatório, pois considero a doutrina da predestinação muito importante para a formação dos teólogos.


BLOG > O que é a predestinação? Ela se fundamenta na Bíblia?

B. CHAVES > Predestinação é o ato praticado por Deus, antes da fundação do mundo, que consiste em destinar para a salvação os homens que Ele escolheu incondicionalmente, sem levar em conta a previsão de suas obras de arrependimento e fé, as quais são impossíveis de serem praticadas pelo homem, sem a influência do Espírito Santo.

Sim. A predestinação, tal como descrita acima, é totalmente extraída da Bíblia.


BLOG > A doutrina da predestinação era ensinada na Igreja primitiva?

B. CHAVES > Sim, era bastante ensinada por Jesus, Paulo, Pedro e outros, embora eles não priorizassem o tema. O assunto primordial naquela época era a ressurreição de Cristo.


BLOG > Por que Deus escolheria, de antemão, salvar uma parcela da humanidade, enquanto condenaria o restante dela à danação eterna? Isso não contradiz a justiça divina?

B. CHAVES > Seria uma contradição, se Deus condenasse pessoas inocentes ao inferno. No entanto, Ele faz o contrário: resgata do inferno pessoas culpadas. Toda a raça humana é pecadora e, portanto, merecedora da condenação. Deus escolheu alguns homens para a salvação. Porém, não escolheu todos, visto que todos merecem a condenação. Desta feita, os ímpios são condenados por justiça, por merecimento. Mas os predestinados são salvos por misericórdia, e não por direito.



"Assim, aquilo que o homem faz por querer é exatamente o que Deus planejou. A Sua onipotência é tão insondável que não somente previu, mas também projetou e determinou todas as coisas, desde toda a eternidade. E, mais do que isso, faz acontecer todo o Seu plano sem forçar a vontade dos seres que criou."



BLOG > Para a Teologia Relacional, Deus decidiu limitar Sua onisciência ao dar plena liberdade ao homem. Contestando essa visão, A. Nicodemus, pastor presbiteriano, afirma que a soberania de Deus é absoluta, “não uma soberania limitada por causa da liberdade humana”. A soberania de Deus e o livre-arbítrio humano são incompatíveis?

B. CHAVES > Eu não diria incompatíveis.

Sabe-se que tudo o que acontece foi anteriormente planejado e desejado por Deus. Na elaboração de Seu plano eterno para o universo, Ele previu todas as possibilidades de reações dos homens, quando expostos a circunstâncias diversas, e manipulou estas circunstâncias, a fim de que os homens, ao se comportarem livre e espontaneamente, façam exatamente aquilo que as circunstâncias requerem para cada tipo de personalidade. Causas e efeitos estão perfeitamente concatenados para redundarem no cumprimento do plano de Deus, sem violentar a vontade humana.

Assim, aquilo que o homem faz por querer é exatamente o que Deus planejou. A Sua onipotência é tão insondável, que não somente previu, mas também projetou e determinou todas as coisas desde toda a eternidade. E, mais do que isso, faz acontecer todo o Seu plano sem forçar a vontade dos seres que criou. A vontade do homem, dos anjos e dos animais é livre, mas, ao mesmo tempo, determinada. O que a determina é o meio ambiente, o qual está sujeito ao decreto de Deus.


BLOG > A predestinação é um dogma do calvinismo, confissão nascida no século 16, no seio da Reforma Protestante. De que modo a Reforma e, mais especificamente, o calvinismo ajudaram a moldar a cristandade?

B. CHAVES > Não é necessário crer em predestinação para ser um predestinado. Qualquer pessoa pode ser salva por Cristo, independentemente de crer em predestinação ou não. Deste modo, a doutrina não é de vital importância ao cristão.

Entretanto, a doutrina da predestinação, segundo a visão calvinista, tem sua utilidade. Ela não torna orgulhoso o homem pelo fato de ser ele um predestinado. Pelo contrário, humilha-o diante de Deus, pois o calvinista sabe que não houve razão nenhuma para ser escolhido dentre os demais. Ele sabe que não é melhor do que os não-eleitos e que não foi salvo por mérito próprio, mas pela misericórdia do Senhor. Isto o torna mais grato a Deus e mais humilde em relação aos homens.


BLOG > A doutrina da eterna predestinação tem sido rejeitada pela maioria das confissões evangélicas, que sustentam o poder do homem para orientar seu próprio destino e colaborar para sua própria salvação. Em sua opinião, a que se deve essa rejeição?

B. CHAVES > Esta rejeição se deve à fraca exposição desta doutrina por parte dos pregadores. Como a doutrina da predestinação não é a mais relevante para a vida espiritual dos servos de Deus, não é ensinada nas igrejas. Por isto, todo homem nasce “arminiano” e, conforme começa a estudar sobre o assunto, passa a ser “calvinista”. É uma evolução.


BLOG > Já no século 16, o calvinismo teve de enfrentar uma questão difícil: a preocupação dos fiéis com seu destino espiritual. Os crentes se perguntavam se estavam ou não incluídos no rol dos predestinados. Apesar disso, como explica o historiador Flávio Luizetto, tais perguntas, do ponto de vista da Igreja calvinista, “eram consideradas impertinentes”, já que “o homem não pode ter a presunção de desvendar os desígnios de Deus”. Como o crente pode, então, ter certeza de que é um eleito? Existe uma marca, ou sinal, que o diferencia do pecador comum?

B. CHAVES > Não podemos jamais esquecer uma coisa: não existe ninguém que, querendo a Água da Vida, não chegue a obtê-la. Todo aquele que busca Deus encontrá-Lo-á. Qualquer que queira ser um eleito será. A própria vontade de se converter testifica que tal pessoa é predestinada.

Portanto, uma pessoa não deve se atormentar com o pensamento: “quero ser salvo, mas não adianta eu tentar, se eu não for um predestinado”. O aspirante à salvação deve se esforçar para tal. Fazendo assim, estará confirmando sua própria eleição.

Tanto quem crê que é predestinado quanto quem crê que não é acertaram.

No entanto, estejamos convictos de que qualquer que manifeste o desejo de ser salvo manifestou-o pela graça de Deus, através do Espírito Santo, e não por iniciativa própria. Pois uma das virtudes que o homem não possui é o “querer a salvação”. Assim, realmente alcançará a salvação, se quiser. Mas precisa da ajuda da graça de Deus para querê-la.


BLOG > A quem se destina o seu livro? E por que ele merece ser lido?

B. CHAVES > O livro foi feito para defender a doutrina da predestinação e mostrar que ela é real e bíblica. O livro é destinado a teólogos “calvinistas”, que precisam de argumentos para debater sobre a predestinação, mas também foi feito para teólogos “arminianos”, a fim de convencê-los.

Agradeço muito pela oportunidade de participação no seu blog!



FICHA DA OBRA




Título: Predestinação e a Bíblia

Edição: 1

Ano: 2016

Número de páginas: 325

ISBN: 978-85-920957-2-7



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