• Chá de Leitura

UMA ESTREIA DE PESO


Nós batemos um bate-papo com Giovana de Souza Neves, cujo romance de estreia tem a marca das grandes obras.

Aos 16 anos, Giovana de S. Neves estreia na ficção com uma obra marcante: Amor Desconhecido. O romance narra o drama vivido por Cathleen Davis, adolescente que se apaixona pela melhor amiga. Leia, a seguir, a entrevista cedida ao blog pela jovem autora, que nasceu e vive em São Paulo (SP).


BLOG > Como você descobriu a sua vocação para escrever?

G. S. NEVES > A paixão pela escrita veio de criança. Desde pequena, minhas aulas favoritas eram as que tinham produção de texto (criação de narrativas e poesias, principalmente). Eu sempre amei inventar histórias e poemas, no geral.

Comecei a escrever, de fato, em abril de 2020, quando redigi meu primeiro livro (Amor Desconhecido). A princípio, era para ser mais uma das minhas invenções malucas. Eu nem ia publicar nada, mas acabou se tornando o que é hoje.

Já havia escrito outro livro antes desse, no início de 2019, mas ainda não está como eu gostaria. Talvez, em um futuro não muito distante, seja algo que eu simpatize e sinta vontade de publicar.

Além disso, também tenho mais ideias para compartilhar, que estão sendo produzidas. Atualmente, estou trabalhando em outro livro e acho que será um assunto muito interessante para ser abordado. “Cenas para os próximos capítulos”.


BLOG > É comum os escritores projetarem características suas nas personagens que inventam. Isso acontece com você?

G. S. NEVES > Isso não ocorre com frequência, pois eu tento, ao máximo, criar autenticidade para cada personagem, mas de vez em quando, eu coloco alguns aspectos e aptidões relacionados a mim, tanto nos personagens quanto na história em si, mesmo que de maneira sutil.


BLOG > O seu romance narra a história de uma adolescente, Cathleen Davis, que se apaixona por sua melhor amiga. Essa história foi inspirada na realidade? O que te motivou a escrevê-la?

G. S. NEVES > A história de Amor Desconhecido não tem relação com a minha vida. As inspirações para criar vêm dos lugares mais aleatórios possíveis. Nesse livro em específico, foi o clipe de uma música chamada “Girls Like Girls”, da cantora Hayley Kiyoko, que me motivou.

Eu estava querendo atualizar a minha playlist. Foi por acaso: eu cliquei nesse vídeo e comecei a assisti-lo. A história do clipe é uma garota que visita a casa da amiga, a qual tem um namorado. É possível perceber uma forte química entre elas durante a música. Vale a pena dar uma olhada.

Logo que terminei, assisti mais umas duas ou três vezes. Quanto mais eu via, mais a história se desenvolvia na minha mente. Foi bem aleatório e espontâneo.


"A paixão pela escrita veio de criança. Desde pequena, minhas aulas favoritas eram as que tinham produção de texto (criação de narrativas e poesia, principalmente). Eu sempre amei inventar histórias e poemas, no geral."


BLOG > Como você define Cathleen Davis, a protagonista do romance?

G. S. NEVES > Cathleen Davis é uma menina doce e bondosa, sempre tentando fazer a coisa certa. Durante a história, Cat (assim chamada pelos amigos) afetou, negativamente, a vida de muita gente, mas nada fora de propósito. Ela é uma menina insegura e é isso que é desenvolvido no decorrer do livro: o medo de dizer o que realmente sente.


BLOG > Em nossa sociedade, não são poucos os jovens homossexuais que, temendo ser rejeitados, evitam se abrir com seus pais e com as pessoas à sua volta. Em certos casos, esse isolamento pode levar à depressão. Você acredita que o seu livro pode, de algum modo, ajudar esses adolescentes?

G. S. NEVES > Acredito que meu livro possa ajudar algumas pessoas a tirar conclusões próprias sobre o que vale e não vale a pena dizer. “A vida é muito curta para ter medo de se arriscar” é uma das frases que mais me orgulho de ter escrito no livro. É a mais pura verdade. Entendo completamente a insegurança das pessoas que ainda não estão confortáveis para falar com amigos e familiares sobre a opção sexual, mas conheço muita gente que, ao falar, se sentiu mais “livre, leve e solto”.

A decisão de se arriscar varia de pessoa para pessoa. Uma sábia mulher já me disse que “basta colocar na balança o que mais vale a pena” (e, na maioria das vezes, falar com alguém é a melhor opção). Cada um no seu tempo. Está tudo bem.


BLOG > Você dedica o seu livro à comunidade LGBTQIA+. Muita gente ainda confunde ou substitui o termo LGBTQIA+ por LGBT ou, simplesmente, por GLS. Em sua opinião, a que se deve essa confusão e ignorância geral? É possível reverter esse quadro?

G. S. NEVES > Eu mesma, antes de escrever minhas dedicatórias, pesquisei sobre como poderia me referir. Descobri que não existe um termo correto e rígido para isso. O símbolo “+”, na sigla, significa que existem mais letras, sendo assim, mais definições para cada indivíduo. Tentei usar o que vi com frequência, mas não sei se é o jeito certo, pois me deparei com diversas outras maneiras.

Não chamaria a confusão das pessoas de ignorância, uma vez que elas estão tentando utilizar o termo que mais é confortável para o outro. É tudo questão de respeito.



Capa do romance Amor Desconhecido



BLOG > Na última quarta-feira (22), o Papa manifestou seu apoio à união civil dos homossexuais. Segundo ele, essas pessoas “têm direito de estar em uma família”. Como você avalia esse discurso? Este sinaliza uma abertura da Igreja Católica em relação à homossexualidade?

G. S. NEVES > Quando fiquei sabendo do ocorrido, pensei “nossa, achei que já haviam permitido”. Foi um choque saber que isso ainda não havia sido aceito. “Elas são filhas de Deus e têm direito de estar em uma família”. O Papa disse isso e eu apoio. Foi um discurso lindo.

Quanto à Igreja Católica, isso é algo incerto. O preconceito sempre existiu e não é agora que vai ser deixado de lado. Todo tipo de construção de um ideal social, leva um tempo até que seja, de fato, desconstruído. A Igreja é uma instituição enorme, composta por indivíduos únicos, que têm opiniões diferentes. Isso é algo que só vamos descobrir daqui alguns anos (muitos ou poucos, ninguém sabe).


BLOG > Em sua opinião, os temas ligados à homoafetividade têm o espaço que merecem na ficção brasileira?

G. S. NEVES > Eu tenho fé na próxima geração de escritores. Faço parte dela e sou a favor, ao máximo, da igualdade para todos. Aos poucos, a homoafetividade está sim ganhando um espaço maior na ficção brasileira, mas ainda não é o suficiente.

Precisamos de mais, para um dia atingirmos a normalidade, que é ter a capacidade de ler um livro que tenha a presença da comunidade LGBTQIA+ e não criar polêmica em cima disso.


BLOG > Por que o seu livro merece um lugar na estante do leitor?

G. S. NEVES > Um assunto que eu tentei abordar é a questão da aceitação do indivíduo como ele é. No livro, existem quatro personagens que fazem parte da comunidade LGBTQIA+, que são principais. Acho que ter um livro como esse sendo distribuído pelo mundo é algo que possa mudar a percepção de algumas pessoas do que é o amor e como podemos agir perante essa situação.




> Siga a autora no Instagram e no seu site pessoal.


Ficha da obra



Título: Amor Desconhecido

Edição: 1

Número de páginas: 112

ISBN: 978-65-001-1221-4


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