• Chá de Leitura

A ficção engajada de Orwell

Atualizado: 18 de Out de 2020

Na imagem, volume de A revolução dos bichos, editado pela Companhia das Letras


Depois de alguns anos, eu saciei, por fim, uma antiga curiosidade. Foi no ensino médio que eu tomei conhecimento de "A revolução dos bichos", um pequeno romance escrito por George Orwell. Algumas páginas do livro foram lidas por uma professora de História, uma mulher respeitável e inteligente. Suas aulas eram atraentes e surpreendiam os alunos. Lembro ainda, embora vagamente, da leitura que ela fazia desta bela obra do escritor indiano.

Graças a ela, eu nunca esqueci do livro e sabia que, mais cedo ou mais tarde, eu deveria lê-lo. Por fim, cumpri esse intento há dois dias. E posso assegurar que o livro superou minha expectativa. O enredo é simples, como convinha à proposta do autor: escrever uma história que revelasse, de forma clara e sucinta, a ilusão do comunismo soviético. Recorrendo a uma metáfora, Orwell denunciou a tirania e a violência do regime de Stálin.

Toda a história se passa numa fazenda. Depois de se rebelarem contra os seus proprietários, que eram humanos, os animais os expulsam da Granja do Solar, que é rebatizada como Granja dos Bichos. A partir de então, os animais passam a administrar a granja, adotando o seguinte lema: "Quatro pernas bom, duas pernas ruim". Com o tempo, no entanto, os porcos - tidos como mais inteligentes - passam a dominar os outros animais, enquanto desfrutam de vários privilégios. Assim, adota-se na granja um novo lema: "Todos os animais são iguais, mas alguns animais são mais iguais que os outros".

A crítica, dirigida ao regime soviético, é clara e evidente. A revolução popular que estourou na Rússia em 1917 não alcançou seus objetivo, que era criar uma sociedade fraterna e igualitária. Desde que assumiu o poder, pouco depois, Stálin imprimiu uma nova face ao regime soviético, solapando os velhos ideais socialistas. Triunfava uma ditadura cruel e impiedosa. Nesse regime eram comuns, por exemplo, os expurgos, as prisões sem julgamento e a repressão às liberdades civis.







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