• Chá de Leitura

O MONARCA DAS LETRAS


Esta é a biografia de um monarca apaixonado pelo Brasil e por sua gente. Seria amor, ou "antes uma devoção ao país e à defesa de seus interesses", como assinalou Murilo de Carvalho? Seja qual for a resposta adequada, o fato é que esse sentimento guiou Dom Pedro II até sua morte em Paris, em 1891.

Mas aquele que governou o Brasil por quase meio século era, ao mesmo tempo, um homem dividido. Sim, dividido entre o desejo de servir à pátria de modo exemplar, salvaguardando as leis e a liberdade de imprensa, e o desejo de dedicar mais tempo à leitura e ao estudo, o que talvez justificasse a alcunha de "neto de Marco Aurélio", que lhe foi dada pelo escritor francês Victor Hugo.

Assim, um traço marcante da personalidade de Dom Pedro II era sua erudição. Leitor e estudioso compulsivo, ele lia vorazmente revistas, jornais e livros, além de escrever com frequência e traduzir obras famosas a partir dos textos originais, como a Bíblia e As mil e uma noites. Impelido pelo desejo de promover a cultura no Brasil, ele distribuiu bolsas de estudo, fez doações a institutos científicos e educacionais e financiou a publicação de livros. Em um país com alto índice de analfabetismo, o esforço do imperador nesse sentido era um exemplo notável, como salienta seu biógrafo:


"Seu apoio à ciência, às letras e às artes, à educação e à técnica foi um exemplo importante num país de 80% de analfabetos. O pouco que se fez no Brasil no século XIX nesses campos deve muito a ele. Serviu também para projetar no exterior a imagem de um chefe de Estado culto e mecenas, em contraste com a dos generais e caudilhos toscos que povoavam a política da América Latina. Pode-se imaginar a surpresa de intelectuais europeus, como Nietzsche, com quem se encontrou casualmente na Áustria, ao descobrirem que vinha do Brasil um dos soberanos mais ilustrados do século. Em suas exéquias, boa parte do mundo intelectual e científico de Paris estava presente."

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