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O POETA DOS ANJOS

Atualizado: 23 de Out de 2020


O Chá de Leitura teve a honra de conversar com Daniel Faiad, autor da tetralogia inaugurada com A luz no quintal de Samir.

Nascido em São Paulo, Daniel Faiad é formado em Letras e em Direito e ministra aulas de Língua Portuguesa na rede pública de ensino. Em 2018, ele esteve na Bienal do Livro de São Paulo e, recentemente, publicou FerroVia Láctea, seu quarto livro. Acompanhe, nas linhas seguintes, a entrevista concedida pelo autor ao blog Chá de Leitura.


BLOG > Como você despertou para a escrita?

FAIAD > Essa questão é inusitada, pois eu confesso que não foi por causa dos poetas, bardos e trovadores que eu me descobri como poeta. Eu admirava muito a forma como certos compositores de MPB e Rock escreviam, então esse anseio surgiu dentro de mim.

Meu pai conta, afinal lembra melhor que eu, que em uma noite de 1.992, o ano em que eu completaria quatorze anos, mas ainda tinha treze, meus pais e irmãs estavam indo para uma festa da família, e, estranhamente, eu não quis ir; eles ficaram surpresos, eu adorava as festas da família, optei por ficar.

Quando eles voltaram, surpreendentemente, eu estava suado e extasiado com uns dez poemas prontos. E assim me descobri poeta, não por causa da poesia em si, mas por causa do amor à música; porém, concomitantemente, descobrindo o meu mais novo amor que era efetivamente a poesia.

Por sua vez, também não me descobri Literato por causa da literatura, e sim porque eu admirava como os roteiros de certos filmes eram bem costurados.

Então não foi exatamente por causa da poesia que virei poeta, e sim por causa da música; não foi por causa da literatura que virei literato, e sim por causa do cinema. Felizes contradições que me fizeram descobrir meu propósito de vida e missão na Terra, que é a Literatura, que é escrever, e cá estou, com quatro romances extraídos de um ventre simultaneamente conhecido e misterioso.


BLOG > Sendo um autor místico, como você enxerga a relação entre a literatura e o sobrenatural?

FAIAD > É verdade que o espiritual, o místico, o esotérico pautam minha literatura, mas sempre ligados ao cotidiano, à realidade brasileira, ao social, e sem abrir mão da narrativa poética.

E a Literatura foi a preciosidade que eu encontrei para materializar, no papel, esse tão sublime mistério chamado Vida, e Vida no sentido mais amplo de seu significado, pré-Vida, Vida terrícola, pós-Vida.


BLOG > Seus romances evocam, com frequência, a experiência mística e sobre-humana. A palavra tem poder suficiente para expressar esses estados? Ou você, enquanto autor, se vê diante de uma barreira: a de traduzir com palavras (convenções humanas) o inefável e o inexprimível?

FAIAD > Ah, esse são os ditos milagres da poesia, da literatura... A literatura materializa o inefável, se faz expressar o lúdico; não há dificuldade não... Com caneta e papel na mão, o canal para o fantástico emerge.


"É verdade que o espiritual, o místico, o esotérico pautam minha literatura, mas sempre ligados ao cotidiano, à realidade brasileira, ao social, e sem abrir mão da narrativa poética."

BLOG > Em A Luz no Quintal de Samir, seu romance de estreia, você narra a história de Samir, um garoto que passa a receber as visitas de um espírito-guia: a Madre Madrinha. Essa mentora celestial assiste seu pupilo, dando-lhe conselhos e lições espirituais que o ajudam a enfrentar os problemas do cotidiano. Você já vivenciou ou ainda vivencia uma experiência semelhante à de Samir?

FAIAD > Com certeza, não me abstenho de tudo que absorvi em minha criação cristã católica e agreguei-a aos presentes que o sincretismo me ofertou através do cristianismo espírita, do budismo, do hinduísmo, da Cabalah judaica, e mais recentemente das linhas afro-espiritualistas e do xamanismo.

Já vi espíritos, anjos, brilhos inefáveis, experiências oníricas, uma vida inteira pautada pela sincronicidade.


BLOG > No romance Fotossíntese na Rosa dos Ventos, Mariê Lira torna-se órfã inesperadamente. A angústia gerada pela perda dos pais faz com que ela mergulhe em si mesma, buscando a solidão e o isolamento. A introspecção pode ser um caminho para aqueles que buscam superar traumas e grandes perdas? Que conselho você daria às pessoas que, neste momento, amargam perdas irreparáveis?

FAIAD > Eu recomendaria o que é ilustrado no livro Fotossíntese na Rosa dos Ventos através da personagem Mariê Lira.

A princípio, mergulhar na introspecção, conhecer-se, lapidar o Templo Interno, o Bálsamo Íntimo, o Oásis Intrínseco, mas sem se fechar para ajuda espiritual, para salutares amizades e para um romance restaurador, como Mariê se deu a oportunidade também.


BLOG > No romance Anjo Alado ao Lado, um anjo desce à Terra com uma missão: transformar a vida de dezesseis pessoas. A menos que cumpra esse desígnio, ele não se tornará um arcanjo (próxima fase de seu percurso evolutivo). Quem são os anjos? E de que forma eles assistem os moradores deste planeta?

FAIAD > Anjos são seres que, por mérito no processo evolutivo, detêm mais Luz; por isso nos auxiliam, nós, os irmãos que ainda estão engatinhando, ou, muitas vezes, rastejando.

Eles nos auxiliam de várias formas, em todas nos direcionando ao amor, nos conduzindo e nos alinhando ao nosso real propósito de existência.

Nos auxiliam de diversas formas, mas, uma das maneiras mais comuns, é aguçando nossa genuína intuição.


Capas dos livros publicados pelo autor


BLOG > Em FerroVia Láctea, seu quarto romance, você conta a história de Lio Akbel, um personagem introspectivo. Buscando compreender sua evolução espiritual, ele questiona, com frequência, o seu papel no mundo. À medida que a narrativa avança, essa jornada de autoconhecimento se torna mais clara para o leitor. Em alguma medida, você se identifica com ele? Já se perguntou ou ainda se pergunta sobre os caminhos de sua jornada espiritual na Terra?

FAIAD > Eventualmente, eu também me questiono sobre isso, o quanto os protagonistas ou coprotagonistas dos quatro romances, Samir Farahabiby, Muriel Kalil, Gael Zunigan e Lio Akbel, têm ou não de mim.

Inclusive, Mariê Lira, a protagonista do terceiro livro, do Fotossíntese na Rosa dos Ventos, foi uma bela oportunidade para expressar minha Ânima, explanar o Sagrado feminino que há em todos nós.

É difícil se afastar; então, muitas vezes, os personagens trazem características, pensamentos, sentimentos e filosofias do autor, mas eu tento praticar o exercício do distanciamento; entretanto, não sei se consigo: entre autor e personagem, a fronteira é muito tênue e frágil.


BLOG > O que você diria às pessoas que, como Lio Akbel, buscam compreender seu lugar na senda da evolução espiritual?

FAIAD > Que meditem, lapidando o Templo Interno, nutrindo com tanto amor o Oásis Intrínseco que o mais nobre sentimento se exteriorize e banhe o semelhante.


BLOG > O que o leitor deve esperar das suas obras?

FAIAD > Identificação!

São histórias com narrativas poéticas, tateando a magia da vida, o mistério da fé, e com identificação. Afinal, não é com um príncipe, uma princesa de uma galáxia desconhecida, e sim, com o ajudante de borracheiro, com o professor de português, com a livreira, com o iogue, com a xamã, com a bicheira.

Com muita espiritualidade, mas sem o pesar do moralismo da religiosidade, com romances, com preocupações, anseios e prazeres de gente real trilhando a jornada evolutiva.


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> RELAÇÃO DAS OBRAS DO AUTOR


Título: A Luz no Quintal de Samir

Número de páginas: 72

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Título: Anjo Alado ao Lado

Número de páginas: 576

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Título: Fotossíntese na Rosa dos Ventos

Número de páginas: 450

Edição:

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Título: FerroVia Láctea

Número de páginas: 261

Edição:

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