• Chá de Leitura

UM CONVITE À VIDA


Ao relatar seus próprios sentimentos e experiências vividas, Andréa Melo nos convida a refletir sobre o que somos e o que pretendemos ser.

Formada em Jornalismo pela Unochapecó e em Direito pela Unoesc, Andréa Melo atua há 15 anos no ramo jornalístico. Recentemente, publicou seu primeiro livro: E se a vida começa aos 40, o que você fez até agora?. Nessa obra ela conta, numa linguagem fluente e direta, as angústias, os dramas e outras experiências que viveu até chegar aos 40 anos. Para saber mais sobre esse livro sincero e profundamente humano, leia, a seguir, a entrevista cedida pela autora ao nosso blog.


BLOG > Como você descobriu o seu talento para a escrita?

A. MELO > Escrever é para mim algo natural, as palavras me atropelam muitas vezes e faço rápidas conexões. Creio que a faculdade de Jornalismo me ajudou muito a aperfeiçoar este talento.

Mas, como eu disse no livro, eu nunca acreditei em nenhum talento meu. E, talvez, seja isto o que a maioria das pessoas vivem. Esta falta de sensibilidade para perceber seu talento, seu dom. Então, para mim, reconhecer isto foi aceitar o que muita gente já vinha dizendo ao longo dos anos. E nesse processo de reconhecimento, o apoio da minha coach na época, hoje melhor amiga, Liz Cunha, foi o que classificamos um 'divisor de águas'. Então, muitas vezes, ter a sorte de encontrar alguém que acredite em nós, mais do que nós mesmos, faz a diferença.


BLOG > Nos últimos 20 anos, várias pessoas te aconselharam a escrever um livro. O que te levou a acatar esse conselho, após tantos anos?

A. MELO > Então, foi uma somatória de situações. Desde o primeiro elogio, passando por um processo de coaching pessoal até a centena de pessoas que conheci nestas duas décadas, as quais leram algo meu, elogiaram ou se sentiram conectadas com a situação descrita de alguma forma.

Hoje eu acredito muito que, se você tem um talento, precisa compartilhar com as pessoas. É isto que dá sentido à vida. Escrever é como traduzir sentimentos e, se as minhas palavras podem ser a ponte de acesso para estimular um movimento ou trazer conforto para alguém, por que não?


BLOG > A vida só começa aos 40? O que você pensa sobre isso?

A. MELO > Essa frase sempre foi um clichê confortável, não? Se a vida só começa aos 40, não vou me preocupar com nada até lá. E, creio que para nós mulheres, essa questão é mais impactante. Somos mais ligadas nessas coisas de idade e sofremos maior pressão social para que cumpramos nosso papel como mães e esposas, por exemplo. Ou para que sigamos as convenções sociais do casamento e da maternidade.

No meu caso, eu confesso que muitas vezes me senti frustrada. Não vou negar que ainda hoje vivo a Síndrome do “Tem dias que”. (risos). Porém, eu acredito que não existe idade para começar a viver. Muito embora a chegada dos 40 anos nos impacte, quando levamos em conta a expectativa de vida do brasileiro. É como se efetivamente chegássemos à metade e chegar sem muitas coisas concretas é, sim, um pouco assustador.

Mas, voltando à sua pergunta, a vida começa no ato da concepção. Ela é o todo dia. É o inspira e o expira. A vida é uma decisão. Uma escolha. O título do livro traz um questionamento a respeito disso com a intenção de desmistificar um clichê.


"A partir do momento que se está completo, qual a razão para seguirmos vivendo? Creio que ter algo a buscar, seja na vida pessoal ou profissional, é o que torna a jornada atraente. A vida sem movimento perde o sentido, é nisso que eu acredito."


BLOG > Como o seu livro pode ajudar as pessoas que já chegaram aos 40 anos, mas ainda se sentem incompletas ou indecisas em relação ao futuro?

A. MELO > Foi justamente pensando em questões como esta que decidi escrever e abordar este tema. Somos fadadas a pensar que estamos incompletas, quando comparadas a uma parcela da população de 40 anos. E não me refiro só às mulheres.

A incompletude é um estado de espírito. Quem pode afirmar que as pessoas que estão hoje aos 40 anos, casadas, num emprego dos sonhos, vivendo numa casa confortável e com o passaporte carimbado de viagens, são de fato completas? Tantas viagens podem significar a busca por algo, o preenchimento de um espaço vazio.

Ninguém é 100% completo e acredito que não deva ser assim. A partir do momento que se está completo, qual a razão para seguirmos vivendo? Creio que ter algo a buscar, seja na vida pessoal ou profissional, é o que torna a jornada atraente. A vida sem movimento perde o sentido, é nisso que eu acredito.


BLOG > Em seu livro, você comenta como, durante anos, a televisão roubou uma parte significativa do seu tempo, fazendo-a “emburrecer”. Segundo uma pesquisa recente, feita pela Kantar Ibope Media, o tempo médio de consumo diário de TV, no Brasil, aumentou 34 minutos nos últimos cinco anos. A nossa população está “emburrecendo”?

A. MELO > Acho importante considerar que escrevo sobre isso sim, porque, de certa forma, a TV nos anestesia, nos relaxa, nos desconecta. E esse é o problema, passar tanto tempo nesta condição. Isso define o emburrecer que descrevo no livro.

Vou dar um exemplo pessoal. Antes de cursar Direito, minha rotina diária incluía chegar em casa após o trabalho e passar horas em frente à TV. E isso me coube muito também, até o momento que saí desta normose. Hoje ainda faço isso? Faço, mas com outra consciência. A consciência de que ela não me domina mais. Não me aprisiona mais, mesmo sendo aficionada por ela.

Então, respondendo à sua pergunta, não creio que a população brasileira está emburrecendo. Neste sentido, acredito que uma série de fatores podem ter contribuído para esse aumento. Entre eles, a cultura do streaming on demand, que abriu um leque de possibilidades ao telespectador, não só de opções, mas também de estar no comando da sua própria programação. A questão não é emburrecer, a questão é estar consciente sobre suas escolhas.


BLOG > Em seu livro, você diz que uma fala da atriz Fernanda Montenegro te fez acordar para a sua vocação, para a pessoa que você estava, desde sempre, destinada a ser. Nós nascemos para cumprir um destino, ou nos construímos ao longo da vida, aleatoriamente? Qual é a sua percepção sobre isso?

A. MELO > Esta é outra questão complexa. Destino tem muito a ver com assumir sua vocação. Assumir suas habilidades. Mais um exemplo meu, eu nunca me familiarizei com as ciências exatas. Mas poderia ter me graduado em Administração de Empresas, que cursei até a quarta fase, e estar hoje em outro lugar.

Quando eu usei essa frase, justifiquei que ela foi um acordar e foi mais ou menos isso. Quanta gente está aí, em carreiras que não trazem satisfação pessoal e profissional, apenas indo contra o que sentem intimamente? Seja para agradar a mãe, o pai, porque está na moda, porque está todo mundo fazendo, porque é um curso mais barato. E nesta condição vão adiando ou, de fato, perdendo tempo, crentes de que algum dia terão coragem para viver como sonharam, fazendo aquilo que as faz felizes. Mas a realidade real nem sempre será condizente com a imaginária. Logo, somos a somatória das nossas escolhas, sejam elas tomadas por nós de forma direta ou não.


BLOG > O seu livro nos faz refletir sobre a finitude humana. A consciência de que nós somos finitos, de que vamos morrer, nos angustia e nos impõe uma urgência: a de viver bem. Existe uma fórmula, um segredo para a vida boa e feliz?

A. MELO > Eu não acredito que exista segredo e nem fórmula para a felicidade. Até porque ninguém é feliz full time. Contudo, tomar consciência desta finitude é, com certeza, o primeiro passo para uma vida mais feliz.

Ninguém reserva um tempo do seu dia para pensar na finitude, porque é desconfortável, assustador. A não ser quando ela chega perto, passa raspando, bate na porta.

Temos a tendência de deixarmos o melhor para depois. Comemos o prato principal já de olho na sobremesa. Guardamos aquela roupa que adoramos para uma ocasião especial e muitas vezes, quando vamos vesti-la, ela já nem é mais tudo aquilo, porque, como seres humanos, estamos em constante mutação.

Pensar na finitude também te permite silenciar e, quando você silencia e ouve a sua própria voz, para de se importar com o que os outros pensam sobre você. Deixando o desejo de querer aparentar, os julgamentos e “pré-conceitos”, você se torna capaz de assumir aquilo que te deixa feliz de verdade, mesmo que seja estranho, esquisito, fora da caixa.


BLOG > Você já completou 40 anos. Se soubesse que lhe restam poucos anos de vida, como você se sentiria: como alguém com muitas tarefas a cumprir, ou como alguém que já cumpriu seu dever no mundo?

A. MELO > Como eu já falei antes, a partir do momento que você pensa que já fez tudo que queria na vida, qual o sentido de continuar? Numa analogia a um check-list para uma viagem, quando você marcou todos os itens, pode seguir; quando visitou todos os pontos turísticos, você muda o destino. Seja quando for, como for, não pretendo partir com a prepotência de já ter cumprindo o meu dever no mundo.


BLOG > Por que o seu livro merece ser lido?

A. MELO > Porque são reflexões que conectam, que aproximam, escritas por alguém que até dois anos atrás não tinha ideia que era capaz disso. Então esse livro é meu para vocês. Esse livro é a representatividade de pessoas que desafiam a si mesmas, enfrentam seus medos, assumem suas vulnerabilidades com a coragem para admitir suas imperfeições.



> Siga a autora no Instagram: @andreajornalista

FICHA DO LIVRO




Título: E se a vida começa aos 40, o que você fez até agora?

Edição: 1

Ano: 2020

Número de páginas: 99

ISBN: 978-65-001-1735-6


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