• Chá de Leitura

Um retrato da escravidão


Na imagem, o volume Doze anos de escravidão, editado pela Penguin Companhia


Ainda me surpreendo com o fato de que relatos de escravos tenham sobrevivido ao tempo. Felizmente, alguns relatos foram conservados, sobretudo nos Estados Unidos. Faz poucos dias que comecei a ler um desses relatos autobiográficos: a história de Solomon Northup, um negro que, tendo nascido livre, foi escravizado em 1841. Após a libertação de Northup, em 1853, suas memórias foram reunidas num livro que fez bastante sucesso na época - "Doze anos de escravidão". Recentemente, esse livro inspirou o filme de mesmo nome, dirigido por S. McQueen e protagonizado por C. Ejiofor (no papel de Northup). Nessa obra, Northup, um cidadão nova-iorquino, conta como foi separado de sua família, bruscamente, no final de março de 1841. Tendo aceitado uma oferta de trabalho temporário, ele viajou para o Sul, onde acabou sendo raptado e vendido como escravo. Ao longo da narrativa, Northup fala dos castigos físicos que sofreu, de sua convivência com outros cativos e dos sentimentos que nutriam, da opulência das fazendas do Sul, etc. Sem dúvida, um relato abrangente que nos fornece uma visão ampla sobre o caráter da escravidão e suas consequências humanas e sociais. É interessante, por exemplo, que o autor tenha conhecido um homem cuja história pessoal era semelhante à sua. Esse negro, um cidadão do Norte, também fora livre e deixara para trás sua família. Segundo Northup: "Seu nome era Robert. Como eu, ele nascera livre e tinha uma esposa e dois filhos em Cincinnati. Disse que foi para o Sul com dois homens que o haviam contratado na cidade onde ele morava. Sem ter documentos que comprovassem sua liberdade, fora pego em Fredericksburgh, preso e espancado até aprender, como eu aprendi, a necessidade da política do silêncio. Ele estava na casa de escravos de Goodin fazia três semanas. Apeguei-me muito a esse homem. Simpatizávamos um com o outro e entendíamos um ao outro. Foi com lágrimas e um coração pesado, não muitos dias depois, que o vi morrer e olhei pela última vez para seu corpo sem vida!" (p. 52).




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