• Chá de Leitura

UMA HISTÓRIA DE MEIO SÉCULO


Publicada inicialmente em 1939, Panorama do Segundo Império é uma obra sólida e consistente. Apoiada em várias fontes, ela traça um panorama amplo do Brasil do segundo império. A escravidão, a monarquia, os conflitos na bacia do Prata, o revezamento dos partidos no parlamento, nada escapa ao olhar arguto e analítico de Werneck Sodré.

Se, por um lado, o autor não ignora o todo, o cenário amplo do segundo império, com todas as suas facetas sociais, políticas e econômicas, por outro ele não deixa de analisar o papel de alguns personagens naquele contexto. Entre as figuras estudadas, destaca-se Lima e Silva, o marquês de Caxias. A respeito deste, escreve o autor: "Caxias, entretanto - mais do que D. Pedro II - foi o império". Não houve, em todo o período, alguém mais notável que ele. Mais que um militar, Caxias foi também um político habilidoso, dotado de equilíbrio e bom senso. "Apoiado na sua espada e no seu conhecimento dos homens, foi que o regime procedeu à integração das partes do país", afirma Sodré.

A partir do capítulo IV, o autor se detém nos fatores que culminaram na queda do império. Nesse panorama, ele destaca o peso da centralização excessiva. Intervindo nas províncias para limitar suas decisões, intrometendo-se em todas as questões locais, mesmo nas mais pequenas e insignificantes, sufocando as economias locais por fazê-las depender sempre do Rio de Janeiro, a centralização desdobrava-se, nas palavras de Sodré, "numa máquina complexa, cuja engrenagem era posta a funcionar no centro e cujos canais ao centro conduziam".

"A centralização foi o império", escreve Sodré. Foi por insistir nela, por aferrar-se a ela, por fazer dela o seu dogma e a razão da sua existência, que o regime engendrou as próprias forças que, mais tarde, o fariam desmoronar.



Posts recentes

Ver tudo

Inscreva-se para receber notícias sobre livros, eventos culturais e sorteios de livros!